Sorriso 120
Minha memória pode estar me enganando mas as manhãs na minha casa em Laranjeiras, lá pelos anos 70, tinham cheiro de café e o som de rádio ligado nas alturas.
E não era um só. Minha mãe, meu pai, meu avô, fora a vizinhança. Todo mundo sintonizado.
Radio Glo-bo-bo-boooo... O "ô" sumia no eco.
Eu acordava com a musiquinha: "Esta entrando no ar, Haroldo de Andrade...". E vinham as notícias, as denúncias e o famoso Debates Populares. Onde se discutia o sexo dos anjos de forma magistral.
Era um contato tão diário, tão próximo que todo mundo conversava com o rádio.
Outro dia minha mãe lembrou uma história de meu pai, de mau humor, trocando de roupa ainda de madrugada e o comunicador falava com a animação de meio-dia.
- Para você que esta indo para o trabalho: um Bom Dia!
Meu pai, ainda cheio de sono, reclamou entre os dentes para o aparelho:
- Vá te catar!
E o comunicador respondeu de dentro do radinho:
- Vá você!
História real.
Anos depois, vi minha mãe se formar em radiojornalismo, trabalhar em rádio e sempre que podia ficava por lá bisbilhotando.
Cheguei a participar da bancada do programa do meu irmão Guto. Acho que fui bem, afinal, ele me chamou mais vezes.
Hoje, estou numa empreitada, por assim dizer, com outra lenda viva: Francisco Barbosa.
- A gente sabe que está velho quando nos chamam assim...
Disse outro dia com um grande sorriso e sua voz inconfundível.
Engraçado encontrar com ele e já ouvir mentalmente a vinheta com o seu nome na cabeça.
Pois é. Todo mundo deve estranhar meu sorriso bobo quando ele grava no estúdio ao lado.
É que o que o pessoal não sabe é que a voz do Barbosa é pra mim uma viagem.
Que sempre me leva pra casa.
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